domingo, 11 de fevereiro de 2007

A Vida acima de tudo

Meu amigo Noé!
Entrei em seu blog e fiz um comentário, na verdade um desabafo, sei que não tens nada a ver com o que escrevi , mas não poderia deixar de opinar sobre o acontecido esta semana, a morte de um garoto de 6 anos, criança inocente que da vida nada sabia e foi brutalmente assassinado por pessoas sem escrúpulos que queriam somente roubar um carro. Seu blog faz referências à vida, e nós, seres humanos estamos regredindo cada vez mais, pela ganância, pela vida fácil. Não sou uma pessoa fielmente religiosa, ou seja, não freqüento igreja, mas tenho minha crença em DEUS PAI e tenho certeza de que uma pessoa somente, não pode mudar esta situação que a cada dia se agrava mais e mais, com pessoas que não pensam, não raciocinam, são somente “animais”.
Esta semana recebi um e-mail com fotos de Taiwan onde mostrava nitidamente o comércio de seres humanos, (fetos mortos), sendo comercializados em frascos de vidro como se fossem alimento. E eram alimento. Alimento para seres humanos que tem uma visão diferente da vida. Sei que não tem nada a ver esse assunto com o propósito de seu blog, mas a indignação que sinto é enorme.
Sei que não temos condições de mudar o mundo, mas podemos fazer alguma coisa, mas não sei o quê e nem por onde começar. A raça humana está, a cada dia mais próxima da própria extinção, e é a causadora de tudo isso. Muitas pessoas que nada tem a ver com os acontecidos estão sofrendo, perdendo entes queridos, perdendo seus lares e anos de vida por negligência de nossos semelhantes. Meu amigo, com tua visão política e os bons pensamentos de pai, como eu, peço ajuda. Quem sabe possamos tentar, ou até mesmo, mostrar para nossos semelhantes o quanto estão errados. Teu conhecimento de causa é muito bom, tens uma cultura excepcional e uma boa visão política, desde a época da escola quando juntos estudávamos. Não estou pedindo pra tomar a frente em nada, somente, tentar me ajudar a tomar um rumo, a entender o que acontece. Desculpe-me o desabafo aqui, é que como eu disse antes, teu blog faz referências a vida. Quem sabe se mais pessoas pensarem diferente, a coisa pode tomar outro rumo, basta achar uma maneira de repassar isso. Muito obrigado pela tua atenção e mais uma vez peço desculpas por, talvez, esse pequeno texto, não ter nada a ver com a finalidade de teu blog. Um abraço do sempre amigo. Alcione Lins de Souza

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Conselheiros do CPERS/Sindicato entregam carta à comunidade

Integrantes do Conselho Geral do CPERS/Sindicato entregaram nesta quinta-feira 8 uma carta dirigida à comunidade gaúcha. A atividade aconteceu na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, logo após o encerramento da reunião mensal do Conselho Geral da entidade. No interior, o documento será entregue junto às agências do Banrisul nos dias de pagamento. A carta alerta para as dificuldades que as escolas estaduais terão para garantir o início do ano letivo. O bom início do ano letivo tem como causas à suspensão de investimentos na área por cem dias, medida que inviabiliza a contratação de professores e funcionários de escola; o atraso no repasse de verbas destinadas à manutenção da autonomia financeira das escolas; entre outras.
João dos Santos e Silva, assessor de imprensa do CPERS/Sindicato
Abaixo, na íntegra, o texto da carta:

COMUNICADO À SOCIEDADE GAÚCHA

EDUCAÇÃO PÚBLICA NO RIO GRANDE DO SUL CORRE PERIGO
É fato que toda a sociedade gaúcha clama por um estado melhor para se viver, com mais empregos, distribuição de renda e, sobretudo, com mais dignidade. Agora, o que é preciso dizer com a honestidade peculiar do gaúcho é para quem o governo Yeda/Feijó está construindo esse Estado. Para a população que mais precisa dos serviços públicos certamente não é. Se fosse, o governo não estaria enxugando recursos da educação, saúde e segurança, e tentando colocar no colo dos servidores a responsabilidade por anos de prioridades para os grandes empresários. A educação, com a suspensão de qualquer tipo de investimento por cem dias, a partir de 17 de janeiro, fica prejudicada. A medida inviabiliza o início do ano letivo devido a falta de professores e funcionários. Situação que se agrava com os constantes roubos, ações de vandalismo e o atraso nos repasses de recursos para a autonomia financeira das escolas. A contradição do governo é ainda maior, pois sua proposta de modernização não significa melhorias ou construção de bibliotecas, de quadras esportivas, de laboratórios de informática e investimentos na formação e capacitação do quadro de pessoal. Sem essas medidas, a tal modernização não passa de propaganda enganosa. Sem vender falsas ilusões, os trabalhadores em educação advertem para o fato de que nossas salas de aula continuam abarrotadas com 40 e até mesmo 50 alunos. Por isso é fundamental que os futuros investimentos se dêem em todas as escolas e não através de escolas pilotos. Chega de maquiar a realidade. O governo deve garantir salários e condições dignas de trabalho a todos os educadores, sem as exclusões que as ditas premiações promovem. A escola pública necessita da participação da comunidade para exigir do governo Yeda/Feijó verdadeiros investimentos.

Texto aprovado pelo Diretório Nacional durante reunião em Salvador (BA).

No dia 10 de fevereiro de 1980, fundamos o Partido dos Trabalhadores. Nestes 27 anos, a classe trabalhadora, a esquerda política e social e a militância petista travamos grandes batalhas e obtivemos grandes vitórias. Entre elas, o fim da ditadura militar, a reconstrução da União Nacional dos Estudantes, a construção da Central Única dos Trabalhadores e de um movimento popular que está entre os mais fortes do mundo; a afirmação dos movimentos de luta pela reforma agrária, a construção do Sistema Único de Saúde e de outras políticas sociais de igual importância; o combate contra o racismo, em defesa dos direitos das mulheres, a afirmação da liberdade de orientação sexual, a implementação de políticas democrático-populares em municípios, Estados e, em 2002 e 2006, a eleição e reeleição de Lula à Presidência da República. Neste dia 10 de fevereiro de 2007, quando comemoramos nosso 27º aniversário, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores dirige uma saudação à militância petista, única e verdadeira responsável pelas vitórias obtidas desde 1980. Lembra de todos os homens e de todas as mulheres que, antes mesmo de o PT surgir, dedicaram o melhor de sua vida para a construção de um Brasil democrático, justo, soberano e socialista. Em Salvador, saudamos a militância petista, o conjunto da esquerda e setores progressistas da Bahia, pelo significado extraordinário da eleição de Jaques Wagner governador deste Estado, derrotando um dos “caciques políticos” que tudo fez para aprofundar a crise de 2005. O início do segundo mandato de Lula na presidência da República já está marcado, positivamente, pelo anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento e, dias depois, pela eleição de Arlindo Chinaglia para presidente da Câmara dos Deputados. Os próximos desafios são a implementação do PAC (inclusive sua tramitação legislativa), a divulgação do plano sobre as políticas sociais, com destaque para a educação; a composição do ministério do segundo mandato, o desencadeamento de uma ampla campanha popular por reformas democráticas e a realização do III Congresso do Partido dos Trabalhadores. O Diretório Nacional do PT faz uma avaliação globalmente positiva do Plano de Aceleração do Crescimento, lançado recentemente pelo Governo Lula. Considera que ele corresponde aos compromissos assumidos durante a campanha eleitoral de 2006, entre os quais impulsionar o desenvolvimento com distribuição de renda, valorizar adequadamente a intervenção do Estado na economia, defender a redução acentuada da taxa de juros. O plano causou uma impacto político e ideológico muito importante. O mais importante do PAC são seus potenciais efeitos sociais, diretos e indiretos, como geração de empregos, por exemplo. Para isso, o governo e os partidos que o apóiam precisam enfrentar e derrotar alguns obstáculos. Os neoliberais atacaram o plano por ser “estatista” e, principalmente, por não ser um plano de cortes de gastos públicos e por não tratar pela ótica neoliberal o tema da Previdência e a legislação trabalhista. De antemão, registramos que a orientação pró-crescimento, contida neste Plano, depende em boa medida da política monetária. Entendemos que há condições para acelerar a redução da taxa de juros e criticamos, enfaticamente, o conservadorismo da mais recente decisão do Copom. Na leitura do Copom, os investimentos previstos no PAC constituem aumento dos gastos públicos, que aumentarão a demanda, que pressionará os preços, gerando inflação. Para evitar a inflação, o BC mantém um patamar elevadíssimo da taxa de juros, que ainda se situa entre os mais altos do mundo. Por essa visão, o Brasil não pode crescer, especialmente se for com investimento público. Um segundo obstáculo a superar para que PAC tenha sucesso é o gerenciamento dos projetos, o que inclui a execução orçamentária. O terceiro obstáculo é contornar a pressão de setores que pretendem introduzir modificações desconformes com o Plano. Há que se considerar, também, que em nome do discurso “desenvolvimentista”, setores da oposição e do grande capital vão seguir defendendo o mesmo que antes defendiam em nome do “ajuste fiscal”: reduzir a participação da renda dos trabalhadores no conjunto da riqueza nacional. É importante que o governo considere e abra negociação com os movimentos sociais sobre questões como: a fixação de metas de emprego em face do volume de incentivos fiscais; a possibilidade de reinvestimento de lucros do sistema financeiro no fundo de investimento em obras de infra-estrutura; a instalação de comissões setoriais tripartites de acompanhamento; novas regras para o uso do FGTS pelo PAC; discussão do mecanismo de limitação das despesas com o funcionalismo público na mesa de negociação permanente; e a criação de espaços de participação dos movimentos sociais e das centrais sindicais no acompanhamento e avaliação dos projetos de investimento do PAC. O segundo mandato de Lula não pode ser mera continuação do primeiro Governo. Aprendendo com os acertos e erros do período que agora se encerra, e tendo como base os extraordinários avanços dos quatro primeiros anos, o segundo mandato tem grandes desafios pela frente: a necessidade de uma forte retomada do crescimento, com continuidade da expansão do emprego e da distribuição de renda, a educação de qualidade e o aprofundamento da democratização do país, o que implica, entre outras iniciativas, realizar uma reforma político-institucional. O PT pautará sua atuação por dois princípios: mobilizar a sociedade para apoiar a aplicação do programa de ação do Governo e manter sua autonomia em relação a esse mesmo Governo. O Partido buscará ser um elemento de conexão entre a sociedade - os movimentos sociais em particular - e o Governo. A composição do Governo deve refletir as forças sociais e políticas que estiveram em sua origem e o acordo delas com o Programa consagrado nas urnas. Mais do que preocupar-se com “cotas” no Governo, é fundamental garantir seu rumo. Os oito anos do Governo Lula devem ser vistos em uma perspectiva estratégica de amplas e duradouras transformações econômicas, sociais, políticas e culturais. As mudanças que introduzirá em nossa sociedade e no sistema político não podem ser apenas um hiato progressista em uma história conservadora, mas o desencadeamento de um longo ciclo de transformações iniciado pelo mandato presidencial de um trabalhador, pelo PT e por uma coligação de partidos de esquerda e seus aliados democráticos. Para a formação do segundo Governo Lula, é fundamental a constituição de uma equipe econômica que esteja afinada com os objetivos defendidos durante a campanha eleitoral, especialmente no segundo turno. Os próximos anos têm de ser marcados por um forte crescimento (não inferior aos 5% anual), que prossiga a expansão do emprego, a recuperação da renda dos trabalhadores e a inclusão social dos milhões de brasileiros que ainda vivem abaixo da linha de pobreza. Isso significa que os ministérios da Fazenda, do Planejamento, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, da Agricultura e Desenvolvimento Agrário, além do Banco Central e de todos os bancos públicos, devem estar harmonicamente sintonizados com essa política expansiva, que se fará com manutenção de baixas taxas de inflação e respeito a um equilíbrio fiscal compatível com os desafios econômicos e sociais do país. Para que tal objetivo seja atingido será necessário que equipes sintonizadas com os objetivos de mudança constituam o núcleo da área econômica. As áreas sociais do novo ministério devem ser impulsionadas por quadros e equipes capazes de aprofundar os atuais programas de transferência de renda. Tem especial importância a condução do Ministério do Desenvolvimento Social e as áreas da saúde e da educação, esta última figurando como um dos eixos do Programa de Governo vencedor em outubro último. Por sua importância para a retomada do desenvolvimento e pelos efeitos sociais que produz, os ministérios que se ocupam da infra-estrutura – Cidades, Integração Regional, Minas e Energia e Transportes -, bem como as estatais correspondentes, devem ser ocupados por quadros e equipes afinados com os imperativos do crescimento com distribuição de renda e com a preparação do país para um novo e longo ciclo de desenvolvimento. Ganha especial importância o ministério das Comunicações, não só por seu lugar estratégico em uma política de inovação científico-tecnológica como pelo relacionamento que mantém com os grandes aparatos da informação. As dificuldades enfrentadas pelo governo, no tema da comunicação, têm correspondência com a atitude do Partido: descontinuidade no tratamento do assunto; não compreensão do conjunto do Partido, nem mesmo da direção, sobre seu caráter estratégico; bem como a tendência a tratar o tema com base na estrutura atualmente existente no Estado para tratar das comunicações. Agregue-se a isso a necessidade de atualizar e aprofundar nossos conhecimentos sobre o tema, por exemplo, acerca das implicações da transição do sistema analógico para o sistema digital; das tendências estratégicas do setor (convergência de sistemas para a internet, nova matriz tecnológica, as tendências para as próximas décadas); da atual estrutura de propriedade no setor e interligações societárias; da movimentação das telefônicas; das experiências estrangeiras, inclusive interconexão com indústria cultural. O debate sobre a comunicação social é fundamental para o Brasil. A democratização do país supõe a democratização da comunicação. Estruturas públicas democráticas de comunicação são fundamentais para superar o monopólio privado. A afirmação da soberania nacional exige um forte aparato de telecomunicações, como demonstra a experiência das principais nações do mundo. Além disto, trata-se de um segmento de enorme importância econômica, amplamente conectado às diretrizes do PAC. Entendemos que a sociedade brasileira não aceita a interdição do debate sobre a comunicação social. Não aceita, tampouco, que se tente passar a idéia de que se trata de um tema de interesse estritamente partidário e/ou do governo Lula. Por se tratar de um tema nacional, é importante realizar uma conferência nacional de comunicação, que reúna todos os segmentos envolvidos. O debate deve ser sobre nosso projeto nacional estratégico de comunicação social e sobre nossa política global de comunicação, abordando todos os aspectos da questão: a internet e o Comitê Gestor da Internet; a comunicação via rádio e TV; a imprensa (jornais, revistas); o papel do setor público e do setor privado; o papel da publicidade estatal; o cinema; as relações comunicação/cultura/educação; o papel da Anatel; o papel do Ministério das comunicações; a Radiobrás; a comunicação comunitária; a política de concessões. Trata-se de um tema urgente, envolvendo no curto e médio prazo as seguintes ações: a) a construção de um sistema público de rádio e tv; b) a importância de uma mídia privada progressista; c) a qualificação de nossa produção de conteúdos; e d) mudanças no marco institucional da comunicação para as organizações sociais. É urgente, também, alterar a qualidade da comunicação partidária. Cabe à comissão executiva nacional, no seu planejamento de 26 e 27 de fevereiro, realizar o diagnóstico do que temos e apresentar um plano de médio prazo que leve em consideração a necessidade de constituirmos uma comunicação partidária de massas e de qualidade. O PT entende a coalizão de sustentação ao Governo Lula como um espaço fundamental para ampliar a articulação política dos partidos que apóiam o programa eleito nas urnas de outubro de 2006. Vamos trabalhar pelo fortalecimento da coalizão, buscando criar um ambiente de real unidade parlamentar e construção de entendimentos para agilizar as votações que interessam à implementação desse programa. Ademais, é importante retomar nossa agenda política com os partidos de esquerda, propondo a retomada da articulação política com o PSB e PCdoB, como fizemos em 2005 e 2006, e buscando também o PDT para esse processo. É claro que o Partido dos Trabalhadores possui quadros qualificados, política e tecnicamente, para ocupar qualquer função no segundo mandato do Governo Lula. É claro, por outro lado, que não se trata de um governo de um partido só. Trata-se de um governo de coalizão, cujo significado precisa ser melhor estudado e determinado pelo Partido. Nesse sentido, é importante destacar o papel do Conselho Político de presidentes dos partidos integrantes. De toda forma, a presença no ministério não é a única, nem necessariamente a principal plataforma de operação política do Partido dos Trabalhadores nos próximos quatro anos. Ao Partido cabe, por exemplo, mobilizar a sociedade e travar o debate político-ideológico, que deve se aguçar nos próximos anos. Um exemplo disto é a necessária mobilização pela reforma agrária e contra o brutal peso do setor financeiro na economia nacional. Uma medida importante, nesse sentido, é a publicação da portaria que atualiza o índice de produtividade para efeito de desapropriação de terra. Esta medida não apenas dará cumprimento ao que estabelece a Constituição Federal, sobre a função social da terra, bem como permitiria acelerar a reforma agrária. Outro exemplo é a reforma política, que só sairá se houver pressão externa ao Congresso. Outro exemplo é a democratização dos meios de comunicação. Um quarto exemplo é o próprio PAC, que precisará de apoio social, para que se torne realidade e seja acompanhado por medidas de redução da desigualdade e ampliação das políticas sociais. Por isso, para além das ações do governo e do Partido, é preciso engajar a sociedade, particularmente os movimentos sociais, na defesa da concepção original do PAC: o desenvolvimento com distribuição de renda e riqueza, projeto que se conecta com nossa visão geral do Brasil e do socialismo, que serão temas centrais do III Congresso do Partido, convocado para 6, 7 e 8 de julho de 2007. O III Congresso é a demonstração da vitalidade e representatividade de um partido que chega ao seu 27º aniversário com energia para mudar o Brasil, enfrentando o debate político de forma aberta, franca e positiva. O PT chega aos 27 anos preparado para sair do III Congresso mais forte e mais vivo, como patrimônio do povo e da democracia brasileira. Diretório Nacional do PT Salvador, 10 de fevereiro de 2007"

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

A incrível briga entre Yeda Crusius e Paulo Feijó

Rompimento entre governadora e vice é marcado por troca de acusações. Para Yeda Crusius (PSDB), Paulo Feijó (PFL) é despreparado. Feijó, por sua vez, diz que Yeda é autoritária. Tucana cancela viagens para não ter de transmitir o cargo.
Considerado um dos estados mais politizados do país, o Rio Grande do Sul está assistindo a cenas insólitas desde o final de 2006. Em dezembro do ano passado, a então recém-eleita governadora Yeda Crusius (PSDB) comandava uma equipe de transição para assumir no lugar de Germano Rigotto (PMDB). A primeira decisão de impacto de Crusius foi propor a prorrogação de um tarifaço aplicado por Rigotto e um aumento adicional de impostos, contrariando o que havia dito durante toda a campanha eleitoral. Na campanha, ela dizia que propor aumento de impostos era uma prática do “velho jeito de governar”. O vice-governador Paulo Feijó (PFL) acreditou nisso e decidiu bater pé. Participou ativamente dos protestos contra a proposta da futura governadora, que acabou sendo derrotada na Assembléia Legislativa. Entre os aliados de Yeda, Feijó não foi o único a se opor à proposta. Deputados de outros partidos, inclusive do PSDB, acabaram votando contra ela.O episódio foi apenas o início de uma briga que iria explodir publicamente logo no primeiro mês do governo Yeda-Feijó. Uma briga que, na verdade, teve suas sementes lançadas ainda na campanha eleitoral de 2006. Escolhido para acomodar uma aliança entre PSDB, PFL e PPS, o empresário Paulo Feijó foi escondido da propaganda eleitoral de Yeda. Neoliberal assumido, o ex-presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviço do Rio Grande do Sul (Federasul) é um entusiasta das privatizações e da idéia de Estado mínimo. Sempre disse isso em alto e bom tom. Ao longo de sua trajetória política recente, Yeda Crusius também defendeu essas idéias, apoiando e participando do processo de privatizações levada a cabo no RS pelo governo Antônio Britto (PMDB) e, em nível nacional, pelo governo FHC. Mas, na campanha para o governo gaúcho, Yeda optou por se apresentar de “cara nova”, dizendo apenas que era representante de “um novo jeito de governar”. Assim, na campanha, enquanto ela garantia que não iria privatizar nenhuma empresa pública, Feijó dizia o contrário. Era só o início do que estava por vir.Fogo amigo e liturgiasAs primeiras semanas do novo governo gaúcho confirmaram o que havia acontecido na campanha e no período de transição. O vice-governador foi descartado por Yeda e, sem função definida no governo, passou a fustigar a governadora através de declarações pela imprensa. O “fogo amigo” atingiu inclusive o marido da governadora, o economista Carlos Crusius, que desempenho um papel central na campanha e no período de transição. Feijó acusou a ingerência de Crusius no governo, observando que ele não havia sido eleito para nada e não tinha nenhum cargo no Executivo. O episódio serviu para azedar, definitivamente as relações entre o empresário e o casal Crusius. A partir daí, a situação só iria piorar. O último episódio dessa briga teve seu ápice na quarta-feira (7), quando Yeda Crusius, em entrevista à rádio Gaúcha, bateu forte em Paulo Feijó, reclamando de sua “falta de preparo para a vida pública e de sua irresponsabilidade”. As declarações foram uma resposta à nota oficial divulgada no dia anterior por Feijó, que tratou das denúncias feitas por ele contra o presidente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), Fernando Lemos, confirmado por Yeda para permanecer no cargo. O vice-governador advertiu-a sobre os riscos de manter Lemos no cargo, dizendo que sua gestão não resistiria à uma auditoria. Na nota, entre outras coisas, o vice-governador reclama da falta de diálogo por parte de Yeda. Após entregar uma carta à governadora, Feijó pediu uma audiência com a mesma, mas não foi atendido. A resposta veio na entrevista à rádio Gaúcha: “Ele não se preparou para ser uma pessoa pública, não tem o perfil (...) Não sabe respeitar a liturgia do cargo (...) Precisa ter responsabilidade, sentir-se parte do governo e não querer ser um rei (...) Espero que amigos e parentes o ajudem”, disparou a governadora. Se alguém tinha alguma dúvida acerca do rompimento entre as duas principais autoridades políticas do Estado, deixou de tê-las após esse episódio.“Um inimigo na trincheira”Feijó tornou-se um sério problema para o governo Yeda Crusius. A governadora trabalha para isolá-lo politicamente, o que vem conseguindo fazer, com a ajuda do próprio vice, que não mede palavras em suas declarações e coleciona atritos. Mas ele ainda é o vice-governador e tem, entre suas atribuições, a de substituir a governadora quando esta se ausentar do Estado por períodos mais longos. Em função disso, Yeda tornou-se uma espécie de prisioneira no Palácio Piratini. Ela foi convidada para ir ao Japão em uma missão oficial e recusou pois não quer transmitir o cargo para o vice. A crise só não adquiriu proporções maiores ainda porque a mídia gaúcha vem tratando o assunto em pequenas notas. A exceção foi um editorial publicado quarta-feira pelo jornal Zero Hora, lamentando a briga: “é doloroso para os rio-grandenses constatar a cada dia o péssimo relacionamento entre a governadora e seu vice. Na falta de um papel claro para desempenhar, ele está se transformando num verdadeiro inimigo na trincheira”.O editorial reproduz o tom geral da crítica que Yeda Crusius faz ao comportamento do vice; “Tudo bem que discorde da política governamental, especialmente nas áreas do seu conhecimento. É compreensível, inclusive, que manifeste suas opiniões sobre medidas econômicas e políticas que firam as suas convicções. Neste aspecto, pode até praticar um saudável contraponto e estimular os demais integrantes do governo a uma reflexão plural. Só não pode é se aproveitar da imunidade do mandato para boicotar sistematicamente a administração de que faz parte”. Um dos temores, no núcleo duro do governo Yeda, é que a figura do “inimigo na trincheira” se transforme na de um “homem-bomba”. Na tarde de quarta, cresceram os rumores de que Feijó não recuaria da briga e que, além de levar suas denúncias contra o presidente do Banrisul ao Tribunal de Contas do Estado, traria outras novas relativas ao financiamento da campanha eleitoral de 2006.Preocupação na AssembléiaA guerra entre a governadora e o vice já está repercutindo na Assembléia Legislativa gaúcha. A deputada Stela Farias (PT) anunciou que a Comissão de Serviços Públicos convidará nos próximos dias o vice-governador para prestar esclarecimentos sobre as denúncias envolvendo a gestão de Fernando Lemos, no Banrisul. “Do nosso ponto de vista, o que menos nos importa é a polêmica, que não é nova, entre a governadora Yeda Crusius e seu vice. O que nos preocupa é o prejuízo à imagem do banco público”, disse a deputada, que buscará o apoio das demais bancadas da casa para promover uma audiência pública na Comissão de Serviços Públicos. Feijó ainda não respondeu se aceitará o convite, mas, segundo seus raros aliados no governo, há boas chances de fazê-lo, uma vez que está ficando cada vez mais isolado e sem espaço no governo. Uma clara expressão disso é o tratamento que ele recebe no site do governo do Estado. Na seção de notícias dedicada ao vice-governador, desde o início do governo, há apenas uma nota, em 16 de janeiro, falando de um encontro que ele manteve com o secretário da Fazenda, Aod Cunha.A estratégia de Yeda Crusius é isolar cada vez mais Paulo Feijó, tentando vencê-lo pelo cansaço. Esse mesmo movimento foi utilizando durante a campanha eleitoral quando se cogitou, inclusive, substituí-lo na chapa. Na época, Feijó disse que não renunciaria de jeito nenhum. Repete o mesmo discurso agora. A crise entre as duas autoridades fragiliza o discurso de eficiência administrativa da governadora. Nos últimos dias, uma pergunta repete-se no Estado: quem foi mesmo que escolheu Feijó como vice? Originalmente, o empresário seria candidato a senador pelo PFL, mas um acordo entre este partido, o PSDB e o PPS, colocou-o como vice da chapa, ficando a vaga do Senado para o PPS. O “novo jeito de governar” anunciado por Yeda nasceu marcado por uma escolha de conveniência que está cobrando um alto preço agora. Esse preço só não está sendo maior em função da generosidade da mídia local que vem tratando o tema com notável discrição.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

Onde está a esquerda?

O PT inicia seu processo de Congresso, mas corre o grave risco de se ter encantado com a vitória eleitoral de Lula, sem entender plenamente seu sentido e suas limitações. O PT não luta mais contra o neoliberalismo? Esse risco existe e é grave. Parece que o partido se esqueceu da decepção que foi o primeiro governo Lula, que não saiu do modelo neoliberal, isto é: manteve e acentuou a hegemonia do capital financeiro – com as taxas de juros mais altas do mundo, com um superávit primário maior do que o solicitado pelo FMI, com um Banco Central com todas as características de uma entidade independente -, com a estagnação da reforma agrária, com a manutenção de um padrão de acumulação centrado na especulação financeira, na exportação (cada vez mais primária, com a soja como grande estrela) e no consumo de luxo, com a liberação cada vez maior dos transgênicos, com a repressão às rádios comunitárias, com o discreto e posteriormente quase inexistente apoio ao software livre, com a estagnação econômica dos primeiros quatro anos, as imensas remessas de lucros para o exterior, os lucros gigantescos dos bancos, a não-abertura dos arquivos da ditadura, a falta de apoio aos povos indígenas – para citar alguns dos tantos problemas do primeiro governo, um governo do PT. Enfim, com todos os traços responsáveis pela enorme decepção que o governo Lula representou, para a esquerda brasileira, latino-americana e mundial. E que colocam em risco a existência do PT como partido de esquerda.Foram corretos a campanha e o voto por Lula, no primeiro e mais ainda no segundo turno da eleição presidencial. Foi para evitar o retorno da direita tradicional no Brasil, para impedir a volta de uma política externa pró-EUA, que liquidaria os processos de integração regional. Para brecar o retorno dos processos de privatização generalizada do patrimônio público. Para impedir a vitória dos oligopólios da mídia, que pretendem mandar na cabeça dos brasileiros. Para impedir a criminalização dos movimentos sociais, o Estado mínimo na sua expressão mais acabada, o neoliberalismo ortodoxo, com toda sua crueldade social. O povo entendeu que o governo Lula era melhor do que os governos FHC.Mas esse voto e essa vitória não podem ser tomados como um fim em si mesmo, como se o caminho do resgate do Brasil estivesse em boa rota, como se estivéssemos no bom caminho, que se trataria apenas de dar continuidade. Como se do que se tratasse agora seria consolidar o governo, tal qual existiu e se preparar para as eleições de 2010. Isso seria uma nova derrota para a esquerda. A vitória eleitoral representou a conquista de uma nova oportunidade para a esquerda, para lutar pela saída do neoliberalismo, para dar passos firmes na construção de um governo anti e pós-neoliberal, para o qual Lula foi eleito. Desperdiçar essa oportunidade, conquistada com grande esforço, é desperdiçar a vitória, é tirar-lhe o caráter potencial de nova oportunidade para a esquerda.Os debates para o Congresso do PT parecem - pelo que se pôde ver até aqui - mais voltados para a situação interna do partido do que para o partido de esquerda que o Brasil precisa. Podem se tornar – insuflados pela mídia – uma luta, uma guerra de tendências, por espaços internos, por acerto de contas no balanço sobre os erros dos últimos anos, por disputa de espaços internos no partido, desvinculado do que deveria ser o papel do partido no Brasil e na América Latina hoje.Gramsci chamava a atenção para as visões que isolam a vida interna dos partidos do entorno político, desligando as questões organizativas das políticas. Ou o PT se torna, clara e efetivamente, o partido da construção de um modelo alternativo ao neoliberalismo, ou terá deixado de assumir a função básica – e mínima – de um partido de esquerda hoje no Brasil. As lutas internas só tem sentido nesse marco. Ou o partido faz o balanço auto-crítico dos problemas do governo Lula e formula o programa de lutas da esquerda para que esses problemas sejam efetivamente superados ou estará reduzido à intranscendência: será um apêndice do governo, onde se darão as disputas essenciais sobre os destinos do segundo mandato.Não nos esqueçamos: se formos fazer um balanço dos erros e problemas do PT nos últimos anos, que eles não se reduzem aos escândalos denunciados, mas incluem a política econômica de Palocci e Henrique Meirelles – ainda hegemônica, embora enfraquecida -, que os erros não foram cometidos apenas pela direção anterior do PT – embora esta estivesse centralmente envolvida neles –, mas foram feitos em função da política de alianças do governo. Que foram afetados não apenas dirigentes do partido, mas o eixo central do governo Lula nos seus três primeiros anos. Que, portanto, não se trata apenas de um problema do PT como partido, mas também do primeiro mandato de governo. E se trata de erros que estiveram vinculados entre si, porque o mercantilismo que comandou políticas de aliança com partidos, é a mesma mentalidade que comandava a publicidade das campanhas, que comanda a política econômica.Se o Congresso do PT – e todo o debate interno que deveria acontecer previamente – não for para afirmar o partido como um pólo de esquerda, que lutará sem tréguas para que o governo saia do modelo neoliberal e enfrente, pelo menos, os problemas apontados acima, terá se tornado uma oportunidade perdida, para o PT e para a esquerda brasileira. Haverá, aparentemente, ganhadores e perdedores, mas terão perdido o PT e a esquerda.O campo da esquerda ficará inexpressivo, fragmentado. Os movimentos sociais podem exercer seu papel de luta por suas reivindicações, mas não o de ocupar o lugar de formulação de alternativas políticas ao neoliberalismo, que cabe a forças políticas. O P-Sol, por uma combinação de sectarismo e oportunismo, perdeu a possibilidade de contribuir para a redefinição da identidade e do programa da esquerda hoje. O PT pode assumir o papel de partido de esquerda, que luta, dentro e fora do governo, pela quebra da hegemonia do capital financeiro, pela construção de uma alternativa de esquerda ao neoliberalismo. Mas para isso precisa centrar seus debates na situação do Brasil, da América Latina e do mundo hoje. O tipo de partido que a esquerda brasileira precisa deve ser o instrumento para a derrota do neoliberalismo e a abertura de um período histórico pós-neoliberal, que aponte para a luta anti-capitalista e socialista. Essa necessidade decorre do esgotamento do modelo neoliberal, do desastre da política imperial de guerra dos EUA e das necessidades do Brasil e da América Latina hoje.O PT e a esquerda brasileira serão julgados pela capacidade de impor alternativas anti-neoliberais nestes anos de luta, conquistados na campanha eleitoral. Ou serão meros protagonistas intranscendentes da luta política e ideológica. A vitória eleitoral terá apenas adiado a derrota estratégica da esquerda. O povo brasileiro demonstrou que merece melhor sorte, que requer uma esquerda combativa, íntegra, capaz de propor e de lutar por um Brasil pós-neoliberal. Postado por Emir Sader às 10:41 - 05/02/2007